Paciente diz que foi espancado em clínica de recuperação, em Goiás

Um jovem que estava internado em uma clínica de recuperação para dependentes químicos, em Itumbiara, no sul de Goiás, diz que foi espancado por funcionários do local. Segundo o interno, a agressão ocorreu depois que um grupo de pacientes tentou fugir do local. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Nas costas do rapaz, que não quis se identificar, há vários hematomas que teriam sido causados por funcionários da comunidade terapêutica. “Me pegaram, botaram lá e me cobriram de pancada. Paus, chutes, murros e bateram minha cabeça na parede”, conta.

Além da agressão, ele também relata que foi dopado. O diretor da clínica, Alan de Paiva Borges, negou que o espancamento, mas confessa que precisou conter o jovem para tentar evitar a fuga.

“O episódio que teve foi a contenção do paciente para não deixá-lo fugir. Temos um compromisso com a famílias de não deixar o paciente fugir, custe o que custar”, declarou.

Revolta
Mãe do interno, a técnica em enfermagem Valéria Lima da Silva diz que foi avisada por uma funcionária da clínica que o filho tinha sido medicado. Ela relata que quando foi ao local, viu uma cena que a deixou revoltada.

“Tinham seis internos lá e uma bandeja grande, cheia de comida. Alguns comiam com as mãos e outros iguais a porcos. É uma cena lamentável. Foi uma coisa muito dura de ver e de sentir”, recorda.

Valéria resolveu então tirar o filho da unidade. Ela já havia pagado R$ 1 mil em agosto, mas para que ele saísse, precisou assinar uma nota promissória.

Paciente diz que foi espancado em clínica de recuperação, em Itumbiara, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Jovem que acusa clínica tem vários hematomas nas costas (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

“Falaram que me cobraram esse valor devido a multa do contrato da clínica. Tinha que pagar 50% do restante das prestações, mais 20% em cima do valor do contrato inteiro. Tirei meu filho de lá não foi porque quis e sim por maus tratos”, diz ela, que levou o filho para fazer um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

Investigação
A Polícia Civil começou a investigar o caso. De acordo com o delegado regional Ricardo Chueire, caso fique comprovado o episódio relatado pelo jovem, os responsáveis pela clínica poderão responder por dois crimes.

Paciente diz que foi espancado em clínica de recuperação, em Itumbiara, Goiás 2 (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Mãe do paciente fala da clínica: ‘comiam iguais a
porcos’ (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

“Primeiro o crime de tortura, que prevê pena de 4 a 8 anos de reclusão. E talvez pelo crime de extorsão. Informações preliminares dão conta que eles estariam exigindo a assinatura de notas promissórias dos familiares para retirá-los do local”, explica.

Já a Vigilância Sanitária confirmou que a comunidade terapêutica não tem um responsável técnico e que a clínica pode pagar uma multa e até ser fechada caso descumpra as determinações do órgão.

“A Vigilância Sanitária vai aguardar o prazo de 48 horas para que os responsáveis legais apresentem a documentação do novo responsável técnico que estará a frente das atividades de recuperação dos internos”, disse o diretor Hebert Andrade.

As atividades na clínica começaram há oito meses e atualmente, 52 pessoas fazem tratamento no local. Em menos de um ano, sete clínicas foram fechadas na região sul de Goiás.

Fonte: G1

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